LISTA DAS COISAS FELIZES

agosto 11, 2019


Há uns tempos percebi que andava a fazer muito pouco daquilo que realmente importa. E como eu adoro listas decidi que estava na altura de assentar ideias e fazer uma lista de coisas felizes, ou seja, coisas que tenho de fazer com alguma regularidade para me sentir uma pessoa feliz. Aqui vai a minha lista, já fizeram a vossa?
1-  Passar tempo DE QUALIDADE com a minha filha.
2- Ler livros. Até pode ser só um de vez em quando, e, mesmo adormecendo na segunda página, já valeu a pena pelo esforço!
3- Praticar desporto. Sempre adorei praticar desporto, qualquer um,
na verdade. Sempre me senti muito bem depois de um treino, uma caminhada, umas braçadas na piscina ou até uns pontapés na bola, vale tudo (menos ir ao ginásio, não é a minha cena)!
4-  Respirar o ar da praia/respirar o ar do campo. Parar – fechar os olhos – respirar fundo duas ou três vezes – sorrir sem qualquer motivo e seguir viagem.
5-  Viajar. Se for sem destino ainda melhor!
6- Vestir uma roupa velha e ir para o meio da mata fazer de conta que sou o Robin dos bosques ou a Heidi das montanhas. Esta também se pode encaixar no tempo DE QUALIDADE com a minha filha.
7- Cozinhar o pequeno-almoço com a Matilda. Daqueles pequenos-almoços gigantes cheios de coisas saudáveis que dão “energia todo o dia” (ignorem a referencia à publicidade do Bollycao)!
8- Tocar um instrumento só por tocar, só porque sabe tão bem.
9-  Estar mais vezes com as pessoas de quem gosto e sentar-me com elas a conversar só porque sim! 
10- Ir à missa. Ok, isto não é nada “trendy” mas eu quero lá saber! Adoro. É o meu momento “mindfulness” e cada um é livre de ter o seu. Até porque gosto de rotinas e a minha profissão não permite muitas portanto este pode bem ser o meu momento rotineiro da semana.   
Podia continuar, tenho mais dez ou vinte coisas para escrever mas talvez faça outra lista um dia destes! 

A vida no campo

Falei com a água

janeiro 22, 2019


A água que corre no rio parece que corre dentro da minha cabeça. Parece que não é lá fora mas sim cá dentro. O som é tão forte como suave, tão lindo como melancólico. Uma pedra desvia a água do seu caminho que navega sempre em frente e eu consigo ouvi-la a mudar a sua rota. Lá longe os pássaros rivalizam com o som da água mas ela ganha. Ouvem-se gotas, não sei de onde. Há uma brisa, sinto-a no cabelo e na cara. O som que se ouve vindo das árvores vem dos pássaros e esquilos que andam por ali atarefados. Se eu fosse dar um nome a isto, chamava-lhe paz. Chamava-lhe energia boa, tranquila. O contacto com a Natureza é como a comida para a boca. Não nos torna ricos, não nos torna pobres, não tem idade nem raça nem credo. É o mais profundo sentimento de pertença à Terra Mãe. É som, é cor, é cheiro, é textura, é energia. É solidão. É silencio. É uma festa dos sentidos. É espiritualidade no seu auge. 

Recomeça...

janeiro 04, 2019

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII. 

Matilda

Um Mundo dentro do Mundo

janeiro 02, 2019

Comecei a ler para a Matilda mal ela nasceu. Às vezes estava a ler para ela e outras vezes estava a ler para mim. De todas as vezes ela ouvia o som da minha voz bem atenta e de olhos abertos. Parecia que percebia cada palavra. Hoje em dia já faz comentários, temos de estar mais tempo nas páginas favoritas e no fim temos de adivinhar o nome de todos os personagens. “Onde está a Anita? Boa! E o Pantufa?” Lembro-me da voz da minha mãe a contar-me estas mesmas histórias. A cada página, uma descoberta, uma aventura. Claro que isso voltou a acontecer mais tarde quando comecei a ler sozinha. Por agora ela ainda me pede para contar sempre a mesma história! As ilustrações também são importantes. Isto para dizer que este assunto tem alguma importância na nossa vida. Já temos uma lista de livros que vamos comprando e uma lista de livros que desejávamos ter. Ora vejamos: Temos alguns livros da colecção da Anita e outros da Rua sésamo. Os contos da Beatrix Potter, com ilustrações originais (sempre que possível), o Winnie the Pooh de A.A. Milne originalmente publicado em 1926 e que é, para mim, uma grande lição de vida. À semelhança do “Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry, este Winnie the Pooh é um daqueles livros que se redescobre em todas as idades, e estamos sempre a aprender com ele. Recentemente comprei alguns clássicos numa livraria de esquina a 3 euros cada um: A Heidi foi um deles. Um dos livros que marcou muito a minha iniciação à leitura. Andamos agora por essas feiras e alfarrabistas à procura das seguintes obras:  “Make way for Ducklings”, queremos uma versão com ilustrações originais; Matilda; Little women; Peter Pan; The wizard of Oz; The lion, the witch and the wardrobe; Madeline. 





A vida no campo

As minhas vizinhas são as maiores

novembro 15, 2018

Quando olho para as minhas vizinhas parece-me sempre que o dia delas tem mais horas que o meu. Mal tenho tempo para estender roupa ou arrancar ervas daninhas do quintal, mas isso é para meninos, ou para meninas, vá... com o dobro e, nalguns casos, o triplo da minha idade, elas conseguem orientar a casa, o quintal, os terrenos, semear tudo e mais alguma coisa, apanhar azeitona, vindimar, tratar da criação, fazer compotas, fazer conservas, secar o feijão, os figos e o grão, criar os netos, etc etc etc até ao infinito e mais além. Ora... eu juro que fico espantada (e cansada só de pensar!). Mas, também é justo dizer que isto as mantém rijas! Que são mulheres que conseguiriam erguer um exercito se quisessem. Como serei eu quando chegar à idade delas? Só espero que o meu dia tenha assim tanta hora!






A vida no campo

O Tempo

novembro 01, 2018





Gosto de tradições e rituais. Gosto daquelas que já existiam antes de mim, gosto das que me envolvem desde pequenina e gosto das novas que vou aprendendo ao lado da minha filha. Não falo só de tradições anuais como o dia do bolinho ou o Natal, mas também de rituais diários. Imagino a minha filha a contar um dia aos filhos dela: Naquele tempo eu fazia sempre isto e aquilo com a minha mãe, era tradição. A tradição não é uma coisa alheia a nós, algo que os outros fazem para tornar o dia deles especial. É uma coisa muito pessoal, muito familiar, muito nossa. Uma tradição ou um ritual diário, semanal, mensal ou anual é muito importante para mim. Marca o tempo de uma forma especial. Existem as coisas que gostamos que sejam sempre iguais, e existem os dias diferentes pelos quais ansiamos o ano inteiro. O tempo é algo muito valioso e talvez por isso seja tão importante transformá-lo ora numa coisa, ora noutra. E as tradições encaixam no tempo que nem a água pé nas castanhas. E atenção! Não estou a falar do passado.  Não estou a dizer com isto que tem de haver uma tradição em detrimento de outras. Ouço falar muita vez que agora é só halloween e coisas das Américas e dia do bolinho, nada… Eu cá acho que não é verdade. Em nossa casa fez-se um halloween com aranhas de plástico nas gavetas e também houve, claro, o dia do bolinho. Para a minha filha já vai ser normal esta duas tradições andarem de mãos dadas e não tem mal nenhum, pois cada uma é divertida à sua maneira, e isso basta-nos para dar valor ao nosso tempo.