Este assunto não é de ultima hora nem faz as delícias dos
média mas é, a meu ver, um assunto extremamente delicado e que merece a maior
das atenções: a educação dos nossos filhos. A Matilda ainda não anda na escola
mas este assunto já é uma preocupação constante na minha cabeça. Que escola
escolher, qual o sistema que se adequa melhor a ela, quais as ofertas
educacionais alternativas, (e muito importante) quanto custam e será que estão
ao nosso alcance. Ao avançar no lamaçal de dúvidas e poucas respostas (pelo
menos na nossa área de residência as alternativas escasseiam) apercebi-me de
uma coisa muito, assustadoramente, verdadeira: as pessoas, escolas, governos,
etc, sentem que os pais são insuficientes para os seus filhos, aliás, é senso
comum achar que dar o melhor aos filhos é carrega-los de actividades geridas
por outras pessoas pois certamente os pais são de alguma forma indignos de
ensinar o que quer que seja. Mas uma coisa é verdade: nós queremos o melhor
para eles, disso não há dúvidas! Agora, será que eles estão a ter o melhor de
nós? Bem, passo muito tempo a pensar nisto, principalmente quando perco a
paciência com a minha filha ou quando me apetecia estar noutro lado,
acontece... Será que ela está a ter o melhor de mim? A dada altura disseram-me
que o melhor é pô-la na escola para conviver com outras crianças e ganhar
hábitos e rotinas iguais às dos outros, que é lá que estão as ferramentas
necessárias para ela “evoluir”. Perdoem-me por não concordar. E olhem que eu
tive uma óptima experiência escolar! Tive bons e maus professores, bons e maus
colegas, bons e maus auxiliares… Mas acho, olhando para trás, que por muito que
algumas pessoas façam um esforço, a forma estreita e acelerada que mina os
programas escolares e que os torna absurdos, tirou a garra onde ela havia e só
serve para encorajar os maus a serem piores. E sei que vão dizer: “Quem és tu
para falar sobre isto? És algum especialista?” he he… Não. Sou mãe. Sou o
melhor e mais dedicado especialista que existe. Heroicamente ainda há quem não
se conforme e lute para abraçar este sistema na convicção de que não tem
alternativa. Mas tem.
Quando vou até Leiria, cidade pequena mas para nós é a
cidade grande, espero muito pouco por um café. Alias, tem de ser minimamente
rápido senão até fico impaciente. Pego no café, bebo e pronto. 5 minutos, vá, a
correr mal… Isso acontece quando meto o meu chip citadino de há uns anos atrás.
Há uns dias estava a falar com uma amiga que vive em Leiria e que diz muita vez
que não sabe como é que nós fazemos, ela tem de ver pessoas! Pois. Se o
objectivo é apenas “ver” as pessoas, então a cidade é o sítio ideal. Nós não
podemos SÓ ver as pessoas. Temos de dizer “Bom dia”, “vai-se andando” e temos
de falar sobre o tempo. Temos de perguntar “Como vão as suas pernas? Menos
cansadas? E as cebolas? Já têm melhor aspecto?” Temos de falar sobre o rio e
sobre o padeiro que hoje passou mais tarde, e temos de voltar a casa para
deixar um saco cheio de feijão verde, couves, tomates e mação, enfim… é
verdade, aqui no campo não podemos só olhar para as pessoas, temos de as ver. E
um café não pode demorar só 5 minutos, nunca na vida!
Na nossa família, como nas outras, não somos perfeitos.
Discutimos, ralhamos, ficamos amuados, argumentamos até à exaustão para ter
razão, falamos alto, gritamos, dizemos que sim só para o outro se calar, etc…
Mas não dispensamos nem uma oportunidade de estarmos juntos. É maravilhoso.
Cantamos, rimos, dançamos, falamos uns por cima dos outros, damos abraços e
beijinhos. É uma confusão. Mas é uma confusão tão boa.
O pequeno-almoço: a
nossa refeição favorita! Ao pequeno almoço o que não pode faltar: fruta fresca,
aveia, ovos, compotas e mel. Receita para um pequeno almoço que deixa toda a
gente bem-disposta:
- Panquecas de ovo, banana
e aveia regadas com mel; sumo de laranja natural; fruta à discrição e no final
um cafezinho daqueles que deixa os olhos a brilhar!
Calorias? Cá não temos
muito disso… Comemos bem porque somos de alimento e não vamos daqui com fome! Também bebemos batidos de frutas e comemos torradas estaladiças com manteiga,
só faltam mesmo as brasas para tostar o pão da avó à lareira, que maravilha!
Melhor que isto só comê-lo enquanto olhamos as montanhas pela janela e se vê ao
longe o vizinho de volta da agricultura. É uma espécie de poema que podia ser
de um tal de Alberto Caeiro.
É nesta altura que me
lembro sempre da Heidi nas montanhas a comer pão quente e leite fresco, cheia
de dor de barriga… Há mais pequenos almoços que vos façam sonhar?
Inês e Matilda | 30 e 1 ano | Leiria fomosverospatos@gmail.com
Largámos a vida na cidade para respirar os ares do campo. Aqui fala-se sobre as maravilhas de viver no topo de uma montanha. Quando não estamos por aqui ou a cantar, é porque fomos ver os patos.