O Tempo

novembro 01, 2018





Gosto de tradições e rituais. Gosto daquelas que já existiam antes de mim, gosto das que me envolvem desde pequenina e gosto das novas que vou aprendendo ao lado da minha filha. Não falo só de tradições anuais como o dia do bolinho ou o Natal, mas também de rituais diários. Imagino a minha filha a contar um dia aos filhos dela: Naquele tempo eu fazia sempre isto e aquilo com a minha mãe, era tradição. A tradição não é uma coisa alheia a nós, algo que os outros fazem para tornar o dia deles especial. É uma coisa muito pessoal, muito familiar, muito nossa. Uma tradição ou um ritual diário, semanal, mensal ou anual é muito importante para mim. Marca o tempo de uma forma especial. Existem as coisas que gostamos que sejam sempre iguais, e existem os dias diferentes pelos quais ansiamos o ano inteiro. O tempo é algo muito valioso e talvez por isso seja tão importante transformá-lo ora numa coisa, ora noutra. E as tradições encaixam no tempo que nem a água pé nas castanhas. E atenção! Não estou a falar do passado.  Não estou a dizer com isto que tem de haver uma tradição em detrimento de outras. Ouço falar muita vez que agora é só halloween e coisas das Américas e dia do bolinho, nada… Eu cá acho que não é verdade. Em nossa casa fez-se um halloween com aranhas de plástico nas gavetas e também houve, claro, o dia do bolinho. Para a minha filha já vai ser normal esta duas tradições andarem de mãos dadas e não tem mal nenhum, pois cada uma é divertida à sua maneira, e isso basta-nos para dar valor ao nosso tempo.  

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