A vida no campo

Falei com a água

janeiro 22, 2019


A água que corre no rio parece que corre dentro da minha cabeça. Parece que não é lá fora mas sim cá dentro. O som é tão forte como suave, tão lindo como melancólico. Uma pedra desvia a água do seu caminho que navega sempre em frente e eu consigo ouvi-la a mudar a sua rota. Lá longe os pássaros rivalizam com o som da água mas ela ganha. Ouvem-se gotas, não sei de onde. Há uma brisa, sinto-a no cabelo e na cara. O som que se ouve vindo das árvores vem dos pássaros e esquilos que andam por ali atarefados. Se eu fosse dar um nome a isto, chamava-lhe paz. Chamava-lhe energia boa, tranquila. O contacto com a Natureza é como a comida para a boca. Não nos torna ricos, não nos torna pobres, não tem idade nem raça nem credo. É o mais profundo sentimento de pertença à Terra Mãe. É som, é cor, é cheiro, é textura, é energia. É solidão. É silencio. É uma festa dos sentidos. É espiritualidade no seu auge. 

Recomeça...

janeiro 04, 2019

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII. 

Matilda

Um Mundo dentro do Mundo

janeiro 02, 2019

Comecei a ler para a Matilda mal ela nasceu. Às vezes estava a ler para ela e outras vezes estava a ler para mim. De todas as vezes ela ouvia o som da minha voz bem atenta e de olhos abertos. Parecia que percebia cada palavra. Hoje em dia já faz comentários, temos de estar mais tempo nas páginas favoritas e no fim temos de adivinhar o nome de todos os personagens. “Onde está a Anita? Boa! E o Pantufa?” Lembro-me da voz da minha mãe a contar-me estas mesmas histórias. A cada página, uma descoberta, uma aventura. Claro que isso voltou a acontecer mais tarde quando comecei a ler sozinha. Por agora ela ainda me pede para contar sempre a mesma história! As ilustrações também são importantes. Isto para dizer que este assunto tem alguma importância na nossa vida. Já temos uma lista de livros que vamos comprando e uma lista de livros que desejávamos ter. Ora vejamos: Temos alguns livros da colecção da Anita e outros da Rua sésamo. Os contos da Beatrix Potter, com ilustrações originais (sempre que possível), o Winnie the Pooh de A.A. Milne originalmente publicado em 1926 e que é, para mim, uma grande lição de vida. À semelhança do “Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry, este Winnie the Pooh é um daqueles livros que se redescobre em todas as idades, e estamos sempre a aprender com ele. Recentemente comprei alguns clássicos numa livraria de esquina a 3 euros cada um: A Heidi foi um deles. Um dos livros que marcou muito a minha iniciação à leitura. Andamos agora por essas feiras e alfarrabistas à procura das seguintes obras:  “Make way for Ducklings”, queremos uma versão com ilustrações originais; Matilda; Little women; Peter Pan; The wizard of Oz; The lion, the witch and the wardrobe; Madeline.