Falei com a água

janeiro 22, 2019


A água que corre no rio parece que corre dentro da minha cabeça. Parece que não é lá fora mas sim cá dentro. O som é tão forte como suave, tão lindo como melancólico. Uma pedra desvia a água do seu caminho que navega sempre em frente e eu consigo ouvi-la a mudar a sua rota. Lá longe os pássaros rivalizam com o som da água mas ela ganha. Ouvem-se gotas, não sei de onde. Há uma brisa, sinto-a no cabelo e na cara. O som que se ouve vindo das árvores vem dos pássaros e esquilos que andam por ali atarefados. Se eu fosse dar um nome a isto, chamava-lhe paz. Chamava-lhe energia boa, tranquila. O contacto com a Natureza é como a comida para a boca. Não nos torna ricos, não nos torna pobres, não tem idade nem raça nem credo. É o mais profundo sentimento de pertença à Terra Mãe. É som, é cor, é cheiro, é textura, é energia. É solidão. É silencio. É uma festa dos sentidos. É espiritualidade no seu auge. 

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