A vida no campo

Falei com a água

janeiro 22, 2019


A água que corre no rio parece que corre dentro da minha cabeça. Parece que não é lá fora mas sim cá dentro. O som é tão forte como suave, tão lindo como melancólico. Uma pedra desvia a água do seu caminho que navega sempre em frente e eu consigo ouvi-la a mudar a sua rota. Lá longe os pássaros rivalizam com o som da água mas ela ganha. Ouvem-se gotas, não sei de onde. Há uma brisa, sinto-a no cabelo e na cara. O som que se ouve vindo das árvores vem dos pássaros e esquilos que andam por ali atarefados. Se eu fosse dar um nome a isto, chamava-lhe paz. Chamava-lhe energia boa, tranquila. O contacto com a Natureza é como a comida para a boca. Não nos torna ricos, não nos torna pobres, não tem idade nem raça nem credo. É o mais profundo sentimento de pertença à Terra Mãe. É som, é cor, é cheiro, é textura, é energia. É solidão. É silencio. É uma festa dos sentidos. É espiritualidade no seu auge. 

A vida no campo

As minhas vizinhas são as maiores

novembro 15, 2018

Quando olho para as minhas vizinhas parece-me sempre que o dia delas tem mais horas que o meu. Mal tenho tempo para estender roupa ou arrancar ervas daninhas do quintal, mas isso é para meninos, ou para meninas, vá... com o dobro e, nalguns casos, o triplo da minha idade, elas conseguem orientar a casa, o quintal, os terrenos, semear tudo e mais alguma coisa, apanhar azeitona, vindimar, tratar da criação, fazer compotas, fazer conservas, secar o feijão, os figos e o grão, criar os netos, etc etc etc até ao infinito e mais além. Ora... eu juro que fico espantada (e cansada só de pensar!). Mas, também é justo dizer que isto as mantém rijas! Que são mulheres que conseguiriam erguer um exercito se quisessem. Como serei eu quando chegar à idade delas? Só espero que o meu dia tenha assim tanta hora!






A vida no campo

O Tempo

novembro 01, 2018





Gosto de tradições e rituais. Gosto daquelas que já existiam antes de mim, gosto das que me envolvem desde pequenina e gosto das novas que vou aprendendo ao lado da minha filha. Não falo só de tradições anuais como o dia do bolinho ou o Natal, mas também de rituais diários. Imagino a minha filha a contar um dia aos filhos dela: Naquele tempo eu fazia sempre isto e aquilo com a minha mãe, era tradição. A tradição não é uma coisa alheia a nós, algo que os outros fazem para tornar o dia deles especial. É uma coisa muito pessoal, muito familiar, muito nossa. Uma tradição ou um ritual diário, semanal, mensal ou anual é muito importante para mim. Marca o tempo de uma forma especial. Existem as coisas que gostamos que sejam sempre iguais, e existem os dias diferentes pelos quais ansiamos o ano inteiro. O tempo é algo muito valioso e talvez por isso seja tão importante transformá-lo ora numa coisa, ora noutra. E as tradições encaixam no tempo que nem a água pé nas castanhas. E atenção! Não estou a falar do passado.  Não estou a dizer com isto que tem de haver uma tradição em detrimento de outras. Ouço falar muita vez que agora é só halloween e coisas das Américas e dia do bolinho, nada… Eu cá acho que não é verdade. Em nossa casa fez-se um halloween com aranhas de plástico nas gavetas e também houve, claro, o dia do bolinho. Para a minha filha já vai ser normal esta duas tradições andarem de mãos dadas e não tem mal nenhum, pois cada uma é divertida à sua maneira, e isso basta-nos para dar valor ao nosso tempo.  

A vida no campo

AS 5 MELHORES COISAS QUE O CAMPO ME DEU!

maio 25, 2018



-Respirar ar puro-
Não há nada tão bom para clarificar as ideias como respirar o ar frio e leve das montanhas. Desde fazer desporto pelos trilhos que rodeiam a minha casa até passear com a minha filha, o ar que respiramos é sempre saudável e agradável, leve e por vezes húmido. Sabe tão bem!

-Abrandamento-
Quantas vezes ao longo do nosso dia olhamos para a correria que se desenrola e dizemos para nós: preciso de umas férias, preciso de me afastar desta confusão. Pois bem, em minha casa, ou pelo menos em volta dela (!) a sensação de abrandamento é incrível. Tudo acontece de forma lenta. As pessoas param para falar umas com as outras, e poderiam estar ali na conversa durante 5 minutos ou uma hora, tanto faz. Porque na verdade não têm de ir a lado nenhum. Têm coisas para fazer, claro que sim! Mas tudo pode esperar. O contacto entre as pessoas que aqui vivem é directamente proporcional a este abrandamento.

-Silêncio-
Não damos por falta dele até finalmente não podermos viver sem ele. Aqui não há silêncio. Há sons por todo o lado para quem souber escutar. Os animais preenchem-no e o vento nas arvores também. À noite, houve-se um mocho que mais parece uma qualquer sinalética sonora artificial e moderna, é maravilhoso.

-A vista-
Sabem aquela sensação de abrir a janela do quarto num hotel no meio do nada e apenas contemplar a paisagem? Quando paramos para olhar a vista é magnifica.

-Contacto com a natureza-
Saber que a minha filha vai crescer com os pés na terra, no meio de todo o tipo de animais e plantas, é uma sensação adorável! Depois do contacto com a natureza vem o respeito por ela. O respeito pelas coisas vivas é uma das coisas mais importantes para se ensinar a uma criança. 

A Catraia

A vida no campo

SAÍMOS DA CIDADE PARA VER OS PATOS TODOS OS DIAS!

abril 21, 2018



Eu e o João mudámos para o campo. Foi assustador e empolgante, ao mesmo tempo tendo em conta que a Matilda nasceu nessa mesma semana. 

Bem, estão a ver aquela série antiga do Grenn Acres? Foi mais ou menos assim... Dois míudos da cidade, no meio do silêncio da serra, só com o rio como som de fundo. 

Mais ou menos nessa altura, descobri a maravilha que é passear por ali. Sair de casa só por sair e descer ao rio para ver os patos, como se fosse um objectivo de rotina prioritário, do tipo, vou sair de casa para comprar pão ou para comprar gás (pois... nós ainda compramos botijas de gás!). 

E assim surgiu esta aventura de sair de casa todos os dias para respirar o ar puro e aproveitar todos os outros benefícios de viver no campo. 


A Catraia