Comecei a ler para a Matilda mal ela nasceu. Às vezes estava a ler para ela e outras vezes estava a ler para mim. De todas as vezes ela ouvia o som da minha voz bem atenta e de olhos abertos. Parecia que percebia cada palavra. Hoje em dia já faz comentários, temos de estar mais tempo nas páginas favoritas e no fim temos de adivinhar o nome de todos os personagens. “Onde está a Anita? Boa! E o Pantufa?” Lembro-me da voz da minha mãe a contar-me estas mesmas histórias. A cada página, uma descoberta, uma aventura. Claro que isso voltou a acontecer mais tarde quando comecei a ler sozinha. Por agora ela ainda me pede para contar sempre a mesma história! As ilustrações também são importantes. Isto para dizer que este assunto tem alguma importância na nossa vida. Já temos uma lista de livros que vamos comprando e uma lista de livros que desejávamos ter. Ora vejamos: Temos alguns livros da colecção da Anita e outros da Rua sésamo. Os contos da Beatrix Potter, com ilustrações originais (sempre que possível), o Winnie the Pooh de A.A. Milne originalmente publicado em 1926 e que é, para mim, uma grande lição de vida. À semelhança do “Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry, este Winnie the Pooh é um daqueles livros que se redescobre em todas as idades, e estamos sempre a aprender com ele. Recentemente comprei alguns clássicos numa livraria de esquina a 3 euros cada um: A Heidi foi um deles. Um dos livros que marcou muito a minha iniciação à leitura. Andamos agora por essas feiras e alfarrabistas à procura das seguintes obras: “Make way for Ducklings”, queremos uma versão com ilustrações originais; Matilda; Little women; Peter Pan; The wizard of Oz; The lion, the witch and the wardrobe; Madeline.
Assim me ensinaram a carregar o meu bebé: “à distância de um beijinho”. Eu carrego a Matilda quase todos os dias, só não o faço quando não tenho tempo. Aqui nas Fontes temos caminhos largos e bonitos para levar o carrinho, mas raramente o fazemos. Isso seria limitar as nossas opções. Ora vejamos: quando chove o carrinho não dá muito jeito (nem tenho uma daquelas protecções de plástico); quando queremos explorar outros caminhos com escadas naturais e mais íngremes e cheios de pedras, escusado será dizer que o carrinho não entra. Pois bem, com o nosso paninho nada nos pára! Se chove: Galochas, paninho e chapéu de chuva, aí vamos nós! Se queremos explorar outros caminhos: botas de montanha e protecção para a cabeça. As coisas que nunca podem faltar nas nossas aventuras: Chapéu, gorro ou lenço na cabeça; Protector solar, galochas ou botas de montanha com rasto apropriado; água. Devemos ter em atenção se a restante roupa é apropriada. Por exemplo, o bebé deve usar calçado que não deixe os dedos encolhidos, nós por cá usamos só umas calças de pano e meias. Eventualmente levo uns sapatinhos dentro da mochila caso ela queira sair do pano para explorar as redondezas. E assim vamos nós por entre beijinhos e risos, ver os nossos amigos patos e outros bichos.
A Catraia
Eu e o João mudámos para o campo. Foi assustador e empolgante, ao mesmo tempo tendo em conta que a Matilda nasceu nessa mesma semana.
Bem, estão a ver aquela série antiga do Grenn Acres? Foi mais ou menos assim... Dois míudos da cidade, no meio do silêncio da serra, só com o rio como som de fundo.
Mais ou menos nessa altura, descobri a maravilha que é passear por ali. Sair de casa só por sair e descer ao rio para ver os patos, como se fosse um objectivo de rotina prioritário, do tipo, vou sair de casa para comprar pão ou para comprar gás (pois... nós ainda compramos botijas de gás!).
E assim surgiu esta aventura de sair de casa todos os dias para respirar o ar puro e aproveitar todos os outros benefícios de viver no campo.
A Catraia

