Quando olho para as minhas vizinhas parece-me sempre que o dia delas tem mais horas que o meu. Mal tenho tempo para estender roupa ou arrancar ervas daninhas do quintal, mas isso é para meninos, ou para meninas, vá... com o dobro e, nalguns casos, o triplo da minha idade, elas conseguem orientar a casa, o quintal, os terrenos, semear tudo e mais alguma coisa, apanhar azeitona, vindimar, tratar da criação, fazer compotas, fazer conservas, secar o feijão, os figos e o grão, criar os netos, etc etc etc até ao infinito e mais além. Ora... eu juro que fico espantada (e cansada só de pensar!). Mas, também é justo dizer que isto as mantém rijas! Que são mulheres que conseguiriam erguer um exercito se quisessem. Como serei eu quando chegar à idade delas? Só espero que o meu dia tenha assim tanta hora!
Gosto de tradições e rituais. Gosto daquelas que já existiam
antes de mim, gosto das que me envolvem desde pequenina e gosto das novas que vou
aprendendo ao lado da minha filha. Não falo só de tradições anuais como o dia
do bolinho ou o Natal, mas também de rituais diários. Imagino a minha filha a
contar um dia aos filhos dela: Naquele tempo eu fazia sempre isto e aquilo com
a minha mãe, era tradição. A tradição não é uma coisa alheia a nós, algo que os
outros fazem para tornar o dia deles especial. É uma coisa muito pessoal, muito
familiar, muito nossa. Uma tradição ou um ritual diário, semanal, mensal ou
anual é muito importante para mim. Marca o tempo de uma forma especial. Existem
as coisas que gostamos que sejam sempre iguais, e existem os dias diferentes
pelos quais ansiamos o ano inteiro. O tempo é algo muito valioso e talvez por
isso seja tão importante transformá-lo ora numa coisa, ora noutra. E as
tradições encaixam no tempo que nem a água pé nas castanhas. E atenção! Não
estou a falar do passado. Não estou a
dizer com isto que tem de haver uma tradição em detrimento de outras. Ouço
falar muita vez que agora é só halloween e coisas das Américas e dia do
bolinho, nada… Eu cá acho que não é verdade. Em nossa casa fez-se um halloween
com aranhas de plástico nas gavetas e também houve, claro, o dia do bolinho.
Para a minha filha já vai ser normal esta duas tradições andarem de mãos dadas
e não tem mal nenhum, pois cada uma é divertida à sua maneira, e isso basta-nos
para dar valor ao nosso tempo.
A música está sempre na nossa vida, não podia ser de outra maneira! Deixo aqui uma lista de canções que canto para a minha filha todos os dias:
Vai-te embora passarinho - Canção de berço alentejana
Cielito lindo - Canção tradicional mexicana
Penteei o meu cabelo - Canção alentejana
A minha primeira valsa - Banda da Catraia
O outono - Banda da Catraia
Acorda menina linda - Jorge Palma
Blackbird - Beatles
Pêra verde - Celina da Piedade
entre outras... !

Este assunto não é de ultima hora nem faz as delícias dos
média mas é, a meu ver, um assunto extremamente delicado e que merece a maior
das atenções: a educação dos nossos filhos.
A Matilda ainda não anda na escola mas este assunto já é uma preocupação constante na minha cabeça. Que escola escolher, qual o sistema que se adequa melhor a ela, quais as ofertas educacionais alternativas, (e muito importante) quanto custam e será que estão ao nosso alcance. Ao avançar no lamaçal de dúvidas e poucas respostas (pelo menos na nossa área de residência as alternativas escasseiam) apercebi-me de uma coisa muito, assustadoramente, verdadeira: as pessoas, escolas, governos, etc, sentem que os pais são insuficientes para os seus filhos, aliás, é senso comum achar que dar o melhor aos filhos é carrega-los de actividades geridas por outras pessoas pois certamente os pais são de alguma forma indignos de ensinar o que quer que seja. Mas uma coisa é verdade: nós queremos o melhor para eles, disso não há dúvidas! Agora, será que eles estão a ter o melhor de nós? Bem, passo muito tempo a pensar nisto, principalmente quando perco a paciência com a minha filha ou quando me apetecia estar noutro lado, acontece... Será que ela está a ter o melhor de mim? A dada altura disseram-me que o melhor é pô-la na escola para conviver com outras crianças e ganhar hábitos e rotinas iguais às dos outros, que é lá que estão as ferramentas necessárias para ela “evoluir”. Perdoem-me por não concordar. E olhem que eu tive uma óptima experiência escolar! Tive bons e maus professores, bons e maus colegas, bons e maus auxiliares… Mas acho, olhando para trás, que por muito que algumas pessoas façam um esforço, a forma estreita e acelerada que mina os programas escolares e que os torna absurdos, tirou a garra onde ela havia e só serve para encorajar os maus a serem piores. E sei que vão dizer: “Quem és tu para falar sobre isto? És algum especialista?” he he… Não. Sou mãe. Sou o melhor e mais dedicado especialista que existe. Heroicamente ainda há quem não se conforme e lute para abraçar este sistema na convicção de que não tem alternativa. Mas tem.
A Matilda ainda não anda na escola mas este assunto já é uma preocupação constante na minha cabeça. Que escola escolher, qual o sistema que se adequa melhor a ela, quais as ofertas educacionais alternativas, (e muito importante) quanto custam e será que estão ao nosso alcance. Ao avançar no lamaçal de dúvidas e poucas respostas (pelo menos na nossa área de residência as alternativas escasseiam) apercebi-me de uma coisa muito, assustadoramente, verdadeira: as pessoas, escolas, governos, etc, sentem que os pais são insuficientes para os seus filhos, aliás, é senso comum achar que dar o melhor aos filhos é carrega-los de actividades geridas por outras pessoas pois certamente os pais são de alguma forma indignos de ensinar o que quer que seja. Mas uma coisa é verdade: nós queremos o melhor para eles, disso não há dúvidas! Agora, será que eles estão a ter o melhor de nós? Bem, passo muito tempo a pensar nisto, principalmente quando perco a paciência com a minha filha ou quando me apetecia estar noutro lado, acontece... Será que ela está a ter o melhor de mim? A dada altura disseram-me que o melhor é pô-la na escola para conviver com outras crianças e ganhar hábitos e rotinas iguais às dos outros, que é lá que estão as ferramentas necessárias para ela “evoluir”. Perdoem-me por não concordar. E olhem que eu tive uma óptima experiência escolar! Tive bons e maus professores, bons e maus colegas, bons e maus auxiliares… Mas acho, olhando para trás, que por muito que algumas pessoas façam um esforço, a forma estreita e acelerada que mina os programas escolares e que os torna absurdos, tirou a garra onde ela havia e só serve para encorajar os maus a serem piores. E sei que vão dizer: “Quem és tu para falar sobre isto? És algum especialista?” he he… Não. Sou mãe. Sou o melhor e mais dedicado especialista que existe. Heroicamente ainda há quem não se conforme e lute para abraçar este sistema na convicção de que não tem alternativa. Mas tem.
A Catraia










